Ontem a primeira leitura da liturgia tocou num ponto fundamental:
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3, 16-17)
A Bíblia, que cremos ser a Palavra de Deus, não é somente um livro, mas uma biblioteca. São 73 livros, escritos por pessoas diferentes, em épocas diferentes, contextos diferentes e com linguagens diferentes.
Por exemplo: Nas últimas décadas as gírias usadas pelos jovens foram mudando drasticamente e muito rapidamente. Há pouco tempo atrás os jovens falavam: “Que massa, meu!”. Hoje, para a mesma expressão usa: “Caraca!”, entre muitas, pois quase não há mais padrões.
As expressões populares, dentro de uma mesma língua, mudam constantemente. Atualmente, com a ascensão da internet, as expressões mudam ainda mais rapidamente: Vc = Você. Td = Tudo. Tecla = Tc. Um sorriso = : )
Durante os aproximadamente 1.300 anos em que os livros da Bíblia foram sendo escritos, a linguagem, as culturas, os contextos, tudo mudou muito. Então, o entendimento do que está escrito nela jamais deve ser literal, o que chamamos de fundamentalismo. Exemplo: A Bíblia diz: “Comerás o pão com o suor do seu rosto”. Aí a gente pega o pão, passa no rosto e come. Qualquer pessoa sabe que não é isso.
A leitura da Bíblia deve ser feita à luz da oração e à luz do que a teologia e a ciência nos aponta. Senão ainda ficaremos crendo que Adão e Eva realmente existiram, que unção tem a ver com barulho (como o caso de muitos movimentos que priorizam mais o barulho do que a oração feita com o coração) e que o Apocalipse é um livro cheio de ameaças sobre o fim do mundo.
A primeira leitura de ontem diz que toda a Palavra de Deus é útil para educar, para formar, para argumentar, para corrigir, para conduzir a vida na justiça.
É isso mesmo!
Sabendo retirar dela a essência dos valores de Deus, dos pensamentos de Deus, da mentalidade de Deus, a Bíblia é o alimento, o caminho seguro da humanidade. É a rocha sobre a qual estamos salvos de nós mesmos!
E qual é a essência da Palavra de Deus?
"Portanto, tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também, porque esta é a Lei e os Profetas", revela-nos Jesus no evangelho de Mateus 7, 12.
Tudo se resume nisso. Devemos amar como queremos ser amados, perdoar como queremos ser perdoados, compreendidos como queremos ser compreendidos. Devemos não julgar como não queremos ser julgados, respeitados como queremos ser respeitados e assim por diante.
Uma lei do Reino de Deus:
TODA A MUDANÇA QUE EU ESPERO A MINHA VOLTA, TODA MUDANÇA QUE EU ESPERO DOS OUTROS, SEMPRE, IMPRETERIVELMENTE, COMEÇA EM MIM.
O primeiro mandamento e o mais importante de todos é: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como Jesus nos ama”. Devemos amar como Jesus nos ama e como gostaríamos de ser amados. Aí sim a Palavra tem toda sua real utilidade em mim e no mundo ao meu redor. Fora isso, tudo é apenas letra e, segundo São Paulo, a “letra mata”
(2 Coríntios 3, 6).
O R A Ç Ã O
Senhor, obrigado por tua Palavra!
Obrigado por tua voz que nos chama a viver o amor incondicional, revelado e vivido por Jesus!
Obrigado porque, pela tua Palavra, saímos da escuridão e ampliamos nossos horizontes.
Nosso olhar passa a mirar a eternidade, porque de lá viemos e para lá estamos caminhando.
Amém!
Para a oração de hoje a canção que recomendo é "Essência de Deus", do João Alexandre:


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